Pesquisar este blog

28 abril 2020

10 LIVROS (PDF) PARA BAIXAR SOBRE A FAMÍLIA REAL DO BRASIL


Já pensou como viviam os maiores reis e rainhas, príncipes e princesas que moravam no Brasil? O que vestiam, comiam, liam, quais os assuntos falavam, do que mais gostavam? Quem seriam seus amores, amigos e inimigos? No final dessa matéria, trago os 10 melhores livros (PDF) para baixar sobre a família real.

O Brasil dos séculos XVIII e XIX é tão maravilhoso quanto um conto de fadas, porém é muito melhor, pois, todos os acontecimentos que por aqui ocorreram foram fatos verdadeiros, e eles acabaram sendo responsáveis por guiar e construir a história do nosso país.
A última fotografia da família imperial no Brasil, 1889

De uma família real que fugia das garras do grande Napoleão, passando pelo os bastidores da Independência do Brasil, da violência, traição, sexo e amor, chegando ao período conturbado da Regência, vemos um Brasil que esfacela, fazendo-se e refazendo-se em meio a brigas por poderes na política, na família, na religião, na economia, mas principalmente na memória dos súditos brasileiros.

Assim caminhava a monarquia no Brasil, nisso trago a vocês alguns livros em PDF de historiadores e pesquisadores que estudam o período imperial, neles vamos aprender e entender que nem todos os contos de fadas terminaram com um beijo e um “viveram feliz para sempre”.


ABAIXO ESTÁ DISPONÍVEL OS LIVROS EM PDF PARA BAIXAR: 

Livro HISTÓRIA DA GENTE BRASILEIRA (IMPÉRIO) – Mary Del Priore
Livro O CASTELO DE PAPEL – Mary Del Priore
Livro DOMITILA – Paulo Rezzutti
Livro D. LEOPOLDINA – Paulo Rezzutti
Livro DA MONARQUIA A REPÚBLICA – Emília Costa
Livro MARIA I - AS PERDAS E AS GLÓRIAS DA RAINHA - Mary Del Priore
Livro LIVRO AS BARBAS DO IMPERADOR - Lilia Moritz Schwarcz
Livro O PRÍNCIPE MALDITO - Mary Del Priore
Livro D. PEDRO I: A HISTÓRIA NÃO CONTADA – Paulo Rezutti


27 abril 2020

O PRIMEIRO AFRICANO NO BRASIL

Foi durante a tarde daquele 22 de abril de 1500 quando a esquadra de Pedro Alvares Cabral ancorou em terras até então desconhecidas pelos Europeus. Além dos portugueses que compunham a frota de Cabral, há relatos de que havia africanos que também vieram nessa aventura.
Pouco se sabe sobre o primeiro escravo africano a pisar em solo brasileiro.  Mas o que sabemos, é através do livro “História do Brasil, desde o seu descobrimento por Pedro Alvares Cabral”, de Francisco Solano Constâncio, que relata de forma sucinta e primordial os eventos que se sucederam após a chegada da esquadra portuguesa em terras brasileiras.

Entre os primeiros tripulantes da frota de Pedro Álvares Cabral a desembarcarem na Praia de Porto Seguro na Baia, (chamada pela tripulação de Terra dos Papagaios) estava um grupo de intérpretes, que tentaram se comunicar com os índios tupiniquins usando das mais variadas línguas conhecias pelos portugueses, Árabe, Hebraico, Francês, Latim e Italiano.

fonte: https://www.facebook.com/BrasilisRegnum/

Porém nesse grupo de intérpretes estava um negro africano, identificado apenas como um “Negro Grumete da Guiné”, segundo o Historiador Francisco Solano Constâncio, o marinheiro africano da frota de Cabral teria espantado os índios com sua cor de pele escura e “cabelo torcido”, tão exótico quanto os portugueses, de narizes e olhos grandes e pele queimada pelo sol. “Começou um negro grumete a falar a estranha língua da Guiné, na vã tentativa de comunicar com os gentios, mas nem a língua e os acenos adiantaram para os índios acordarem a algum acordo”. (CONSTÂNCIO, 1839, p.67)

Fonte: História do Brasil, desde o seu descobrimento por Pedro Alvares Cabral. De Francisco Solano Constancio, 1839.

26 abril 2020

BAIXE O CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO "OS PRIMEIROS BRASILEIROS"


Em celebração ao dia do índio, comemorado em 19 de abril, o Arquivo Nacional disponibiliza para download gratuito o catálogo da exposição "Os Primeiros Brasileiros", realizada em parceria com o Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A amostra itinerante, que tem concepção e curadoria do antropólogo João Pacheco, reúne peças do acervo do Museu Nacional que não foram atingidas pelo incêndio de 2018 e é integrada por fotografias, músicas e filmes que expressam a rica cultura produzida por dezenas de povos que vivem na região Nordeste do Brasil. Com 40 painéis, 70 peças etnográficas e um vídeo documentário, "Os Primeiros Brasileiros" retrata, de forma sintética, registros de memórias sobre a cultura indígena, unindo o passado ao presente.
"O público tem a oportunidade de conhecer detalhes sobre a importância política, econômica e cultural dos povos indígenas em diferentes momentos da história brasileira. São imagens e informações de natureza histórica e etnográfica que favorecem a crítica a antigos preconceitos e propiciam o despertar de novas questões e formas de abordagem. O conceito da exposição permite uma identificação positiva com aquelas coletividades e um melhor entendimento de práticas, valores e utopias", explica João Pacheco.

A visita presencial à exposição está temporariamente suspensa, em virtude da pandemia de covid-19, mas você pode se aventurar pelas páginas do nosso catálogo virtual, que posteriormente estará disponível em versão impressa.

Mary Del Priore



25 abril 2020

5 LIVROS (PDF) IMPERDÍVEIS PARA ENTENDER A HISTÓRIA DO BRASIL EM SALA DE AULA

Aprender sobre a história do Brasil pode ser muito mais fácil e prazeroso quanto você pensa, principalmente quando se tem em mãos livros de autores nacionais que escrevem como se estivessem conversando com a gente, e acredite, eles estão! Neste post, trago os 5 melhores livros para ler, aprender e se encantar com a história do nosso país de uma forma prazerosa e bastante educativa.


Quem em sala de aula nunca achou chato um certo assunto sobre a história do Brasil? Pois, é! Muitas vezes nos deparamos principalmente nos livros didáticos com leituras cansativas e enfadonhas sobre fatos históricos que poderiam ser interessantes para nós se pudéssemos lê-los de uma outra forma, ou em outros livros. Como professor de história, conheço bem a realidade de salas de aulas onde alunos não se sentem convidados a entender mais a história do seu país, quando começam a ler nos livros, é por isso que listo abaixo os 5 melhores livros para aprender mais sobre a história do nosso Brasil. 
No final do post, disponibilizo em PDF os 5 livros aqui citados. Vamos lá!

1º - HISTÓRIAS DA GENTE BRASILEIRA (COLÔNIA) - MARY DEL PRIORE
O primeiro livro que trago para vocês, faz parte da coletânea História da Gente Brasileira da historiadora Mary Del Priore. Resolvi colocar como primeiro, pois, a autora se preocupou em traçar a história do Brasil de uma maneira bastante prazerosa e convidativa, principalmente para aqueles que estão começando a aprender mais sobre o nosso país.

A coletânea é dividia em 4 livros, e no primeiro livro Colônia, ela nos apresenta um Brasil até então desconhecidos por muitos, a intimidade dos portugueses, africanos e indígenas, a culinária, as vestimentas, o lazer, ou seja, Priori de maneira bastante criativa nos apresenta o cotidiano dos primeiros homens e mulheres que no Brasil habitavam, ela ainda nos convida a entender como pessoas simples daqueles Brasil viviam, seus modos de falar, de pensar, de comer, se vestir, brincar e trabalhar. Afinal, é conhecendo nossas raízes, as histórias de nosso povo e os objetos que usavam que seremos capazes de compreender melhor o país em que vivemos e de construir um futuro mais promissor para os nossos sucessores. Portanto, que tal olhar pelas páginas desse livro e descobrir o que há por trás das cortinas do Brasil? Este é o primeiro volume da coleção Histórias da gente brasileira focado na época do Brasil Colônia.


2º - AS BARBAS DO IMPERADOR - LILIA MORITZ SCHWARCZ
Misto de ensaio interpretativo e biografia do imperador d. Pedro II, este livro apresenta a monarquia brasileira a partir de um ângulo absolutamente original. Valendo-se de documentos inéditos e promovendo um diálogo fértil entre sua linha de argumentação e a inusitada iconografia, Lilia Moritz Schwarcz materializa o mito monárquico ao descrever, por exemplo, a construção dos palácios, os rituais da corte, a mistura de ritos franceses com costumes brasileiros, as formas encontradas pela boa sociedade para praticar a arte de bem civilizar-se, a criação de medalhas, emblemas, dísticos e brasões, a participação do monarca e o uso de sua imagem nas festas populares.

Contra esse pano de fundo surge o retrato de Pedro II: imperador aos catorze anos, este homem que governou o país durante quase meio século foi talvez o maior de todos os ícones do Império. Letrado, viajante, amante do progresso, às vezes alheio às solicitações do posto que ocupava, d. Pedro exibia-se com sua murça de penas de tucano e, de certo modo, legitimava a tropicalização dos costumes monárquicos; depois, ao trocar o manto imperial pelas vestes de cidadão, estará de algum modo anunciando a decadência do Império. As barbas do imperador não apenas mostra de que maneira a monarquia se tornou um mito: numa linguagem que equilibra o rigor da pesquisa com uma escrita sensível, identifica nesse mito uma força e uma singularidade que desconhecíamos.
Em parceria com a companhia das letras, o livro também virou uma bela educativa história em quadrinhos, de leitura simples e desenhos criativos a história da monarquia tornou-se ainda mais prazerosa.

3º -  1964: HISTÓRIA DO REGIME MILITAR BRASILEIRO
A indicação ao 3º livro é para historiador Marcos Napolitano, 1964: História do Regime Militar Brasileiro. Nesse livro, Napolitano escreve de maneira simples e convidativa a todos que se interessam na história recente do período ditatorial que o Brasil viveu - e - sobreviveu.Sem exaltar os feitos de militares bem como as revoltas dos comunistas, o autor começa a traçar o paralelo político que o Brasil passava desde o início do governo de Jango.

Percebe-se que o autor optou por construir uma narrativa em sua escrita que pudesse ultrapassar os muros das universidades. Alguns historiadores queixam-se de seus livros não atingirem o grande público em geral, mas poucos estão dispostos a modificar a sua linguagem acadêmica e torná-la mais acessível para as pessoas. Dessa maneira, o livro de Napolitano merece destaque, pois, a sua narrativa é simples e didática para os leitores que se interessam pela história da ditadura  no Brasil.

  



4º - HISTÓRIAS DO COTIDIANO - MARY DEL PRIORE

Mais uma vez colocamos outro livro de Mary Del Priori para entender melhor a história do Brasil, em Histórias do Cotidiano, Priori trás o dia - a - dia de homens, mulheres, crianças e idosos que viveram no Brasil ao longo do tempo, seus costumes, seus afazeres, suas festividades, bem como os medos e problemas sociais que o cercavam.

A escrita é convidativa e didática e faz desta obra como uma das mais interessantes para se analisar o cotidiano do homem brasileiro ao longo da sua história e como o seu cotidiano influenciou na construção do nosso país. Mary del Priore nos presenteia, neste livro, com as verdadeiras histórias do país, aquelas que retratam intimamente a vida da gente brasileira.




5º – D. PEDRO I: A HISTÓRIA NÃO CONTADA – PAULO REZUTTI
Muito se fala do grito às margens do Ipiranga, da sexualidade exagerada e do jeito impaciente que lhe rendeu o título de monarca difícil e de pouco tato político. Mas, quase duzentos anos depois de sua morte, pouco ainda se sabe do homem de personalidade complexa que se dispunha a morrer por uma causa; do pai que queria para os filhos a educação que reconhecia falhar em si próprio; do governante que foi protagonista na transição do governo absolutismo ao liberalismo e ao regime constitucional no Brasil.

Foi para preencher as inúmeras lacunas que o pesquisador Paulo Rezzutti escreveu D. Pedro I: A história não contada, onde o autor trabalha por meio de documentos inéditos sobre a vida pessoal e política de um dos maiores monarcas que no Brasil já existiu.



E então? Gostaram das dicas sobre os livros imperdíveis para entender da melhor forma a história do Brasil?
Abaixo disponibilizo para vocês os links dos livros que citei aqui, em PDF.

1º Livro Histórias da Gente Brasileira (Colônia) - Mary del Priore
3º Livro 1964: História do Regime Militar Brasileiro - Marcos Napolitano
4º Livro Histórias do Cotidiano - Mary Del Priore
5º Livro D. Pedro I: A História Não Contada – Paulo Rezutti

18 abril 2020

SÃO FRANCISCO DE ASSIS NO OLHAR DE JACQUES LE GOFF


Um dos santos mais venerados pela Igreja Católica ou até mesmo o mais importante depois de Jesus Cristo e de sua mãe a virgem Maria, foi o responsável por uma transformação significativa que a Idade Média até antes do século XI não teria vivenciado, isto é, Giovanni di Pietro di Bernardone, ou melhor São Francisco de Assis, o santo medieval que balançou o ocidente católico, bem como trouxe uma nova maneira de viver o cristianismo adotado pela a Igreja e os meios sociais daquele tempo.

Francisco foi o autor revolucionário em diversas áreas do seu tempo, desde a forma de se relacionar com a natureza passando a ser o percursor da ecologia moderna, como também o primeiro a defender as ideias anticonsumistas devido a sua simples vida que levou após o chamado divino, seria ele o santo mais moderno e revolucionário que a Igreja já conheceu? São estas e outras perguntas que Jacques Le Goff (2001) o historiador medievalista francês busca responder ao trançar uma biografia de caráter histórico em seu livro “São Francisco de Assis”.
Na matéria de hoje, trago um artigo de opinião (LINK DO ARTIGO: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx0ZW1wb3NpbnRlcmVzc2FudGVzMjAyMHxneDo0MTQ3OWY5NmY0ZjNmMGZj ) do livro biográfico de São Francisco, onde a partir dos olhares de Le Goff, perceberemos como um contexto sócio-político foi responsável pela criação da figura do santo e após essa criação, como o contexto europeu foi modificado na atuação dele e de sua ordem.

LINK DO ARTIGO 🔽

13 abril 2020

VIVENDO E SOBREVIVENDO NA IDADE MÉDIA: A PESTE NEGRA NO COTIDIANO MEDIEVAL



Um dos principais eventos que marcaram o período medieval foi a peste negra e tal acontecimento histórico ainda é pouco conhecido pela população. É exigível que pesquisadores e historiadores debatam mais sobre esse recorte histórico que culminou com o nascimento do humanismo no mundo moderno, pois há lacunas que merecem ser preenchidas e novos olhares acerca desse tema merecem ser lançados.


Formas de vida bem como todo o cotidiano medieval foi modificado com a chegada da pandemia no território europeu, transformando o dia-a-dia de homens e mulheres nobres e pobres do medievo.
Na matéria de hoje, trago um ensaio teórico (LINK PARA O ENSAIO https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx0ZW1wb3NpbnRlcmVzc2FudGVzMjAyMHxneDozNDljZGFiMTgwODhhNDU5 )  sobre como o cotidiano medieval passou a ser afetado com a chegada da peste negra no Ocidente europeu, e como a mentalidade do homem medieval foi responsável bem como influenciadora na disseminação da pandemia.

 LINK PARA O ENSAIO: 🔽

11 abril 2020

TEMPOS GLORIOSOS DE UM MARANHÃO EM DECADÊNCIA


O Maranhão no início do século XIX, era visto como uma importante potência econômica das demais províncias brasileiras, sendo que a escravidão, foi o mais forte elemento gerador de opulência para os grandes proprietários de terras. Com isso, os intelectuais da época, ou os seus contemporâneos, frutos do próprio contexto histórico que viviam, descreveram, criticaram e apontaram as estruturas socioeconômicas do Estado.
Sem deixar de apontar, escritores como Mário Meireles e Jerônimo de Viveiros exaltaram os gloriosos momentos de opulência que a província outrora viveu, mas eis que todo este “país das maravilhas” também encontrou o seu calcanhar de Aquiles, e logo o encanto de riqueza começara a se perder.

A decadência econômica no Maranhão não ocorreu de forma repentina, foi um processo longo e cauteloso que se configurava aos poucos dentro de um campo que vinha sendo moldado. Através disso é que temos noção das diferentes visões dos problemas que ocasionaram a decadência na vida econômica e social da província. É nos escritos de alguns intelectuais da época, como Jerônimo de Viveiros, que irão explicar de maneira justificada e satisfatória o processo que ocasionou a decadência em todo o sistema social e econômico do Maranhão Colonial e Imperial. 
Nesta matéria, trago um ensaio teórico (LINK https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx0ZW1wb3NpbnRlcmVzc2FudGVzMjAyMHxneDo1YThiNDc5ZDdmZjRjNzZj ) acerca dos apontamentos feitos pelo historiador Jerônimo de Viveiros que levantou argumentações importantes em sua obra para explicar o processo de decadência econômica que o Maranhão começou a enfrentar após os seus anos dourados.

LINK DO ENSAIO 🔽

10 abril 2020

O SÉCULO DAS LUZES: O ILUMINISMO CHEGA AO MUNDO MODERNO


O físico Galileu Galilei tinha 68 anos quando apresentou ao mundo Europeu as suas ideias astronômicas de que o sol é o centro de todos os corpos celestes e que a terra é um planeta girando ao redor de uma estrela maior. Até estas terríveis afirmações, todos acreditavam que a terra era o centro do universo, isto é, o mundo criado por Deus sendo um projeto divino, deveria está ao centro de tudo, tal mentalidade vinha desde a antiguidade e reforçou-se ainda mais no período medieval quando a Igreja Católica Romana do Ocidente se fixou como a única e verdadeira religião salvadora das almas perdidas e desorientadas no mundo pecaminoso.
Assim como Galilei, o matemático francês René Descartes também sacudiu o mundo moderno com as suas ideias de desconstrução da fé e do nascimento de uma nova maneira de pensar o mundo. Para Descartes, a razão era o centro da mentalidade humana e em sua obra “Discurso sobre o método” ele apresentou debates até então impensável pelo o homem, onde segundo ele, para se chegar a verdade, devemos duvidar/ questionar de tudo que temos como verdade absoluta, a partir do uso da dúvida podemos chegar a uma compreensão do mundo tal como ele é e não como aprendemos a vê-lo.

Nascia então o iluminismo, ou o século das luzes. A idade média denominada por muito tempo por historiadores e filósofos tradicionais, como o “período das trevas” – é um erro grotesco chamar um tempo histórico que teve as suas invenções de acordo com a mentalidade da época com este termo – viu-se desaparecer aos poucos com a chegada das luzes da razão.
O iluminismo, isto é, o desenvolvimento de novas ideias em contraposição aos pensamentos medievais, tomava forma com as teorias físicas, filosóficas, astronômicas, artísticas e matemáticas que iam surgindo. É claro que pensadores tradicionais ou discípulos destes não acreditavam nas ideias iluministas, e muitos de seus defensores foram perseguidos, presos ou até mesmo mortos durante o século das luzes.
Por assim dizer, o mundo europeu passou então a respirar novos ares, era como se o paraíso construído ao longo do tempo pela igreja não tinha mais o mesmo valor que antes. Deus saiu de seu trono pelo o uso das luzes de pensadores como Galilei, Descartes e Newton, e colou a razão em seu lugar. Agora seria só uma questão de tempo para que o homem enxergasse a consciência como autora de seus medos, ideias, superstições e fé. O mundo não era mais o mesmo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
DESCARTES, René. Discurso do método; Meditações; Objeções e respostas; as paixões da alma; Cartas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.



08 abril 2020

CAI O REI DE ESPADAS, CAI O REI DE OURO, CAI E NÃO FICA NADA: O SÉCULO XIX EM MOVIMENTO

O século XIX trouxe às sociedades europeias o levante de ideias de modernidade influenciando todos os mecanismos que ajudaram na construção do mundo ocidental , isso pautado nas principais revoluções que sacudiram o globo: A revolução Francesa (1789) e a Primavera dos Povos (1848) ambas tornaram-se símbolos de lutas pelo o direito de igualdade como também na busca de transformações sociais.

Essas revoluções foram responsáveis por colocar em xeque o poder monárquico e religioso que se estendia desde a Idade Média por toda a Europa, como também, fez o nascer a burguesia elitista que logo depois tomaria forma e governaria no mesmo trono que os antigos reis outrora ocupavam.
Nessa matéria, trago um ensaio (ver link) a respeito das transformações que essas revoluções trouxeram na formação dos Estados e de como deram sentido a modernidade que assombrou o homem oitocentista.

LINK DO ENSAIO⇩
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx0ZW1wb3NpbnRlcmVzc2FudGVzMjAyMHxneDo0OTM5MzYzNTA3YzkwOWMw

O SÉCULO XX EM XEQUE: Uma breve discussão teórica


A virada do século XIX para o século XX foi sem dúvidas o momento de apreensão que começariam a perturbar a todos. Os países capitalistas do mundo ocidental até então eram vistos como grandes superpotências capazes de suas economias permanecerem intactas por muito tempo. No entanto, o século XX assinalou o declínio da civilização Ocidental deixando rastros irreversíveis ao longo da história.

O historiador Eric Hobsbawm, renomado por trazer uma nova visão crítica do século XX, descreve este século como mais terrível e veloz de todos, um século de guerras, de nascimento e fim de utopias de conhecimentos mais ao mesmo tempo de ignorâncias e medo. Em meio há esse caos de conceitos, a ciência histórica tomava certos rumos, deixando de lado a história dita oficial e se concentrando nas novas possibilidades de seu campo historiográfico. O século 20 na visão historiográfica viu modificar a naturalidade com que se lida com o conhecimento histórico entre uma confiança ilimitada na informação da fonte, pois, nesse mesmo período surge uma nova ferramenta: as fontes, que orientará no campo do historiador.

No entanto, para se discutir “o breve século XX” e seus efeito por todo o globo, é preciso voltarmos um pouco mais, onde as ideias e o medo da guerra ainda não faziam parte dos debates acalorados no meio político e no campo da História.

É na segunda metade do século XIX que as transformações assoladoras do século XX começaram a surgir. Uma serie de movimentos ocorridos principalmente na Europa, envolvendo vários grupos sociais distintos eclode a partir de 1848, tais movimentos ficaram conhecidos como “Primavera dos Povos”, Hobsbawm (2012, p. 35) nos diz que esses conflitos sociais, “a zona revolucionária era igualmente heterogênea. Executando-se na França, o que estava em jogo não era meramente o conteúdo político e social desses Estados, mas sua forma ou mesmo existência”.  Ou seja, o anseio de uma mudança vigorava em todas as atmosferas gerando assim, revoluções vitoriosas.
Com essas revoluções ganhando espaços significativos no mundo Europeu, torna-se o cenário ideal para gerar a 1º grande guerra. Na obra “A era dos impérios”, Hobsbawm (1988, p. 461), nos diz que, “a possibilidade de uma guerra generalizada na Europa fora, é claro, prevista, e preocupava não apenas os governos e as administrações, como também um público mais amplo”. Para o autor o fator condicionante pros acontecimentos de 1914 a 1918 (período da primeira guerra mundial), foi a exploração do desenvolvimento Europeu em outros países da América e da África, a construção de grandes impérios, a briga por territórios, isso inclui a disputa dos Alemães por Colônias, tornando-se um equilíbrio delicado entre as potências Europeias.
Tal período de antecedência à primeira grande guerra, foi o momento também que emergiu na Europa diferentes doutrinas sociais tais como o socialismo, comunismo e o fortalecimento do capitalismo.  Marx e Engels acreditavam que os socialistas deveriam criar um partido político para educar os trabalhadores, fazendo-os conhecer os princípios do socialismo científico para poder pensar por contra própria e de maneira própria. Assim, a disputa por territórios seria também uma disputa pra implantar as suas ideologias sociais nos países conquistados.
Ainda em “A era dos impérios”, Hobsbawm fala que esse período, foi de uma falsa guerra na qual as principais potências europeias viviam uma corrida armamentista sem, supostamente, a intenção de dar início a um conflito. Portanto, um período de "paz", mas em que todos estavam produzindo suas armas, era uma “corrida armamentista dos governos” (p. 469). Desde meados do século XIX, o nacionalismo exacerbado e o imperialismo foram os principais fatores que motivaram essa corrida e posteriormente que levou a eclodir à guerra.
A partilha das terras do continente africano e asiático, no período da “falsa paz”, gerou muitos desentendimentos entre as nações europeias. Enquanto os ingleses e franceses dominaram contentar com poucos territórios de baixo valor, “pois a Alemanha reivindicava territórios na África e o Japão em regiões da Ásia onde os alemães podiam viver” (FERRO, 1993, p. 78). Este descontentamento permaneceu até o começo do século XX e foi um dos motivos da guerra, pois estas duas nações queriam mais territórios para explorar, divulgando suas ideias sociais e aumentar seus recursos.
O cenário para guerra já estava posto, e o século XX tomava rumos, que segundo Hobsbawm, este século tem seu inicio em 1914 com a grande Guerra. “Gradualmente a Europa foi se dividindo em dois blocos opostos das grandes nações” (Hobsbawm 1988, p. 474), nisso resultou num conflito maior pelas disputas territoriais no globo.
Com isso o breve século XX vai tomando formas e presenciando mais uma vez uma outra grande guerra, a segunda guerra mundial, na qual todo esse período, na obra “A era dos Extremos” (1995), Hobsbawm chama este século de extremo, no que diz respeito à formação de diferentes ideologias extremadas surgidas no século XIX e caracterizando este período, cuja implementação por meio de ditaduras de diversas matizes políticas  e econômica, tais como; dos comunismo soviético e chinês aos militarismos repressores de extrema direita na América Latina, passando pelos totalitarismos nacionalistas do fascismo europeu e totalitarismo, mobilizaram assim, todo tipo de valores e pretextos para atingir variados e sanguinários objetivos, mas sempre gerando consequências políticas de alto para humanidade.
É nesse contexto que o mundo, a razão social chega no seu extremismo. Podemos fazer aqui referência ao documentário brasileiro de 1999, “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” de Marcelo Masagão. Nesta produção, o diretor trabalha imagens do século XX e suas mudanças do mundo e do homem antes, durante e após as duas guerras, revoluções, golpes, ditaduras, movimentos e desenvolvimento tecnológico. O extremismo do século XX é bem desenvolvido neste documentário, o demonstrando que o mundo estava passando por um processo de ebulição, como que a qualquer momento viesse a ter um fim, e por outro lado, a ciência demonstrando que mundo poderia continuar com os diferentes avanços tecnológicos.
O documentário nos revela a vida de celebridades e de pessoas comuns a fim de levar ao telespectador a relevância social de cada indivíduo para a história, pois, aqui voltamos ao inicio do nosso debate, o fazer historiográfico e suas mudanças no século XX toma forma quando campo da história tradicional se desfaz, mostrando que cada homem também faz parte da história, desde os grandes à aqueles que permanecem nos bastidores.
De fato, o século XX foi o momento onde o homem demonstrou a sua força como também questionou os seus plenos poderes. A tecnologia, as ideologias, a política, a economia ficaram do avesso mostrando que tudo é transitório. Hobsbawm viveu o seu tempo, sobreviveu o século XX, e demonstrou que nesse período a concepção histórica é colocada em prática. Demonstrando também que o homem do século XXI ainda tem que muito que aprender com o século dos extremos, causas e consequências ainda surtem efeitos na nossa contemporaneidade.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. Marc Ferro. – Ática S. A, 1993.
HOBSBAWM, Eric. A era do Capital. Eric Jr. Hobsbawm, tradução Sieni Maria Campos e Yolanda Steidel de Toledo. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2012.
________________. A era dos Extremos: O breve século XX.  Eric Jr. Hobsbawm. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
________________. A era dos Impérios. Eric Jr. Hobsbawm, tradução Sieni Maria Campos e Yolanda Steidel de Toledo. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

DOCUMENTÁRIO
NÓS que aqui estamos, por vós esperamos. Direção de Marcelo Masagão. Rio de Janeiro: RioFilmes, 1999. Documentário (73 minutos).

07 abril 2020

O Monge, O Guerreiro e o Cavaleiro na obra "O Homem Medieval" de Jacques Le Goff


O livro “O Homem medieval” de autoria do historiador medievalista francês Jacques Le Goff, foi publicado em 1994, e trata-se de uma coletânea de artigos da antropologia medieval que reúne os mais respeitados e conceituados medievalistas da história onde debruçados ao longo de anos em pesquisas acerca do mundo do ocidente medieval, trabalharam conceitos e definições da vida do homem que viveu no período máximo do cristianismo, denominado por Idade Média.
A obra estar dividida em 10 partes, e analisa desde a importância do cristianismo na vida do camponês, do servo, do eclesiástico e da monarquia, até mesmo, os ritos ou atividades que cercavam o cotidiano medieval. São elementos importantes da idade média que configuraram e configuram até hoje o mundo cristão (e não cristão) ocidental que a obra trabalha ao longo de seus capítulos. Como práxis das escritas de medievalistas, o estudo do homem e sua mentalidade se fazem mais uma vez necessário, visto que ainda é uma complexidade discutir as ações humanas num período tão vasto da história.
Cabe ressaltar que, a Idade Média descrita na obra, não é apenas aquele contexto histórico fissurado em alguns eventos relevantes do período ou de nomes importantes da sociedade medieval. Os autores buscaram a todo o momento demonstrar e apresentar uma idade média vista pelo os símbolos importantes da época que configuraram toda aquela sociedade, surtindo efeitos até mesmo na chegada da modernidade.
No presente texto será resenhado apenas os dois primeiros capítulos da obra:  “Os Monges” por Giovanni Miccoli e “O guerreiro e o cavaleiro” por Franco Cardine. 

OS MONGES
No capítulo intitulado “Os Monges” a autora nos apresenta a pretensão dos monges ocidentais do mundo medieval à hegemonia social e sua mentalidade elitista. Ela começa traçando o perfil (ou perfis) dos diferentes comportamentos dos monges medievais. Em primeiro lugar, estão os clérigos e, mais em especial, chamados de monges, cuja função é a oração que os põe em ligação com o mundo divino e lhes dá um enorme poder espiritual na terra.
Para os medievais, o mundo era obra de um Deus sábio e lógico, distinto do próprio mundo. Por conseguinte, o mundo lhes aparecia como algo que pode ser conhecido pelo homem mediante a sua razão; não é um fantasma nem uma armadilha, mas também, é um mundo misterioso que devia ser observado com seus diversos cuidados. Os monges, segundo a autora seria detentores desses cuidados, pois, na visão deles foram os fundadores da igreja primitiva do cristianismo verdadeiro.
Apresentam-se como os únicos herdeiros autênticos da Igreja primitiva e descrevem as condições de vida dos homens segundo uma hierarquia de moralidade e de mérito no sentido da qual se colocam a eles próprios.  Vivendo mais sujeito a uma regra do que como homens comum, isolado e independente, o monge encarnava assim os ideais de obediência e disciplina. 


Sobre as regras vividas e seguidas por esses monges, cabe ressaltar as regras de São Bento (um dos principais monges e santos da Igreja Católica Romana) que a autora descreve com sutileza. Se baseava na oração e no trabalho, ambas as ações indispensáveis ao desenvolvimento religioso de um monge medieval. Com efeito, além da oração, São Bento ensina o valor e a sistematização do Trabalho. Imagina, assim, o seu discípulo como um operário cristão. O trabalho é essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal.
São esses primeiros símbolos que começam a dar sentido ao mundo medieval. O monge além de um ser um homem espiritual, detentor dos mistérios divinos, ele também é responsável por ensinar aos pequenos e simples homens comuns daquela sociedade a ideia da importância do trabalho, pois, esta ação era o que movimentou o medievo.
No decorrer da regra, São Bento ilustra as motivações do trabalho, onde este corresponde a um gênero de vida pobre, que exige a labuta pessoal para poder manter, o mesmo é serviço à comunidade e aos hóspedes, a exemplo do que fez Cristo. A oração é o fator importante que não deve faltar na vida de um monge,  o mesmo reza pela salvação dos outros homens, mas pretende adquirir acima de tudo a perfeição e a sua salvação pessoal.
O trabalho é desenvolvimento dos talentos que Deus entregou ao homem e cuja aplicação ele vai julgar. Trabalhar em comum é, para São Bento, um valor, tanto que os monges culpados de faltas graves são excomungados não só da oração e da refeição comunitárias, mas também do trabalho com os irmãos. Assim, nessas regras, o homem monge medieval, ia se moldando nos seus diferentes perfis arraigados no cristianismo. As regras de São Bento, portanto, formou os monges (e, consequentemente, a sociedade) no sentido da diligência e da disciplina do trabalho.
Outra análise que Miccoli destaca é a formação dos primeiros mosteiros medievais (século VI e VII) por quase toda a Europa. Esses mosteiros eram grandes casas na qual abrigava monges e monjas medievais, mantendo antigas tradições dos primórdios do cristianismo até o século XII, composto por dormitórios, refeitórios, cozinhas, e uma sala de enfermaria; era necessária também uma sala para a reunião dos monges, chamada “sala do capítulo”, nela se lia e meditava um capítulo da regra adotada. Havia também o jardim com seu espaço entre a igreja e as outras dependências.
É nos mosteiros medievais que surgem as primeiras e importantes bibliotecas do mundo, onde concentrava grandes obras do cristianismo ocidental, e também do judaísmo e islamismo. O monge tem uma relação, tanto com Deus como com o Diabo, de quem é a presa privilegiada. Perito nas agressões de Satanás, protege os outros homens do antigo inimigo. É igualmente um especialista da morte, através das necrologias que existem nos mosteiros e que constituem cadeias de oração pelos defuntos.
O monge era um conselheiro e um mediador, sobretudo dos grandes. E também um homem de cultura, um conservador da cultura clássica, um perito na leitura e na escrita, graças aos livros dos mosteiros, à biblioteca e oficina de cópia e decoração dos manuscritos, reunia em si o vigor intelectual e a exuberância emotiva e uma sabedoria da escrita que sabia exprimir e matizar sensações, desvios, subtis atenções e segredos. O mosteiro era o espaço que antecedia o paraíso e o monge era o mais habilitado para se tornar um santo.

O GUERREIRO E O CAVALEIRO


O segundo capitulo intitulado O guerreiro e o cavaleiro de Franco Cardine, analisa como o homem medieval tornou-se um importante cavaleiro para a sociedade do ocidente. O cavaleiro medieval é fruto do início das cruzadas que objetivava conquistar terras ocidentais como orientais, pois, tais objetivos também incluía a propagação da fé e do cristianismo católico aos povos judeus e bárbaros.
Responsáveis pela formação das forças militares de seu tempo, segundo Cardine, os cavaleiros medievais apareceram entre os integrantes da nobreza medieval e até mesmo do alto clero. Principes, duques, marqueses, como também monges e sacerdotes fizeram parte das cavalarias medievais. A princípio, além da origem nobiliárquica, um cavaleiro deveria ter treinamento e armas para ascender a tal condição. Em muitos casos, recebiam terras e direitos de cobrança para defenderem a propriedade de um senhor feudal. Ao longo do tempo, o alcance dessa prestigiada condição foi se cercando de maiores exigências.
O cavaleiro desempenhava um papel essencial na descoberta de novos territórios, sendo um protagonista da promoção de jovens para a cavalaria. A cristianização de antigos ritos bárbaros da entrega das armas cria um rito de passagem essencial para o jovem guerreiro: a investidura. No século XII, aconteceu o nascimento de uma nova cavalaria: a dos monges guerreiros das ordens militares. Como o monge, o cavaleiro era um herói da luta contra o demônio.
O cavaleiro torna-se um místico e a aventura cavaleiresca transforma-se na busca religiosa do Graal. O imaginário cavaleiresco, que perdurará até a época de Cristóvão Colombo, conquistador místico, apoia-se num fundo mítico-folclórico e nas miragens do Oriente. O imaginário cavaleiresco exprime-se na caça, nas lutas e guerras.
Nas situações de guerra, segundo o autor, os cavaleiros eram organizados em diferentes postos de batalha. Tão importante quanto a sua posição e habilidades, um cavaleiro não poderia sobreviver muito tempo em guerra sem que estivesse acompanhado de seu cavalo. Se a sua montaria fosse perdida, a morte era quase certa. Ao fim do período medieval, a formação dos exércitos nacionais e a introdução das armas de fogo foram enfraquecendo a imagem do cavaleiro, que passou a figurar as lendas de uma época. 
O que o autor também apresenta é a ideia construída aos cavaleiros medievais, estes, que eram importantes e fundamentais protetores de um território feudal - seja o castelo como a igreja - a imagem cavaleiresca sofreu significativas transformações ao longo do tempo, principalmente devido as guerras politicas e religiosas que o Ocidente enfrentava.

CONSIDERAÇÕES

Discutir a idade média sem mencionar figuras como os monges e os cavaleiros, é como excluir sujeitos importantes que deram sentido a história medieval, pois, estes grupos que surgiram ao longo desse período foram um dos mais responsáveis pela a formação do Ocidente, seja na defesa e propagação da fé como também na defesa do território ocidental.
O que percebemos ao longo destes dois capítulos é que os autores buscaram apresentar em seus escritos a mentalidade dos diferentes homens medievais e como as suas ações influenciaram  no decorrer dos séculos.
Os dois capítulos trabalham principalmente a complexidade dos “homens medievais”, pois não eram apenas “um homem”, mas vários. Seja no modo de vida, de crer e de sobreviver nessa época. É importante ressaltar, a maneira que os autores trabalham diferentes dignificados e signos trazidos ao longo do tempo pelo a sociedade  medieval. Para os autores medievalistas desses capítulos, o homem medieval é antes de tudo, um homem que viveu o seu tempo sem transcorrer um longínquo período da história, vivendo as experiências que lhe cabiam diariamente, tendo a fé como principio da razão.

REFERÊNCIAS

MICOLI, Giovanni. Os Monges. CARDINE, Franco. O guerreiro e o cavaleiro. In: LE GOFF, Jacques. O Homem Medieval. (Org.) Jacques Le Gof. Editora Presença, Lisboa, 1989.